Revelações a um ser rústico que não sabe o que dizer

Às vezes me perco no meio de tantas meio-concretizações.

O meu querer é vasto, é tanto, insensato pertencer. Eu diria “Vazio”, se não fosse transbordante, infindável, iminente e muito. O vazio parece-me algo tremendamente bonito, quando eu sei que estou perdida nesta super-lotação de mim. O vazio é quase uma ambição.

E perplexo-me com a natureza inerente a esta causa que é o interior humano… Agradeço, reclamo. Monto e desmonto o paradoxo paradigmático do ser: Alguns diriam que vivo. Talvez pode ser até que eu ame; Que o tal sujeito amor exista soterrado pelo montante de eu que há no mundo.

É sol sob a areia de Copacabana. E é só um desabafo sob a justificativa do que eu não posso compreender (ainda).. É viver por uma busca incessante perante os efeitos colaterais dos distanciamentos; EU que já acho a Barra da Tijuca tão desalmadamente longe.

Tantos efeitos linguísticos para apenas assumir: Não sei o que está acontecendo e a angústia perante o desconhecido me aflige. Não sou uma personagem!
Mas a língua é assim, tão bonita e viva, que precisa ser explorada e amada também pelos pequenos.

E imagino ser este presente ato sobre o momento em que se está no meio – Na rota e na reta exata – Não há emoção, apenas a solitária, longa e séria rota! De repente, eu que criei e amei esta rota, nutro por ela uma repulsa profunda: Será que eu não mereço mais um pouco de fervor da aventura? Eis que deve ser isto; Tem me faltado frio na barriga.

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Eu te perdôo. Te perdôo. Nunca imaginei que seria capaz de conciliar meu gênio indomável com a capacidade de perdoar… mais especificamente de te perdoar.

É, eu também acreditei piamente que poderia viver ao seu lado sem te dar meu perdão. Não posso. mais uma reponsabilidade para a sua conta. Você, que roubou tudo de mim.

Eu adoraria saber não te fornecer gratuitamente o meu respeito, a minha graciosa boa vontade… quero dizer, não tão gratuitamente assim. Nessa história macabra que você criou, impos, teceu, eu sou apenas a ré. Praticamente uma devedora. Eu inclusive estaria prestes a ter determinados colapsos só de pensar em como você figurou e atuou nesta peça sozinho, mas neste determinado ato encontro-me perplexa pelo fato de ter aceitado te perdoar. Eu cedi.

Finalmente, então, eu cedi. Eu doei, eu escutei… Escutei você dizer os maiores absurdos e sequer me pronunciei. afinal, como faria eu se você de fato estava com a razão. “Não é sobre quem está com a razão”, eu me dizia enquanto você falava sozinho… e escrevia as minhas falas. Eu como uma personagem. Como eu poderia te perdoar por isso?

Neste momento eu soube que tinha perdido o total e completo controle de mim.

Eu te perdoo, repeti, como que para não me esquecer. Como que para não levantar minha voz novamente para você e me exigir de volta, como todos os dias eu fazia e você contestava, dizendo que eu brincava com você. Mas eu não brincava com você, eu brincava comigo, eu brincava com a minha integridade moral, com a minha estrutura física, com o meu organograma de uma vida inteira. Eu ia e vinha diariamente com você nas mãos, perdida, sem saber que eu nada poderia decidir sozinha. Você que me roubara tudo.

Sentei-me então, sozinha naquele banco, me sentindo sozinha naquele mundo. E então você chegou, pondo a mão quente e grande e macia sobre o meu ombro, repleto pelo maior dos silêncios e dos horizontes… Um horizonte silencioso que você dizia ser somente nosso. E continuou assim, sem falar nada. E eu continuei assim, sem te olhar no rosto. Você não se sentou, mas não soltou sua mão de mim por um minuto sequer. E era tão puro o seu jeito de me tocar.

Você que me roubara tudo, eu te perdoava. Por ter me roubado o tempo, por ter me roubado a alta voz. Por ter me roubado a independência, o suor, o desespero. Per ter tirado de mim todo o controle, devolvendo-me duplamente a paz após cada tempestade. Por ter tomado conta de mim debaixo dos seus braços, como asas, quando eu te pedi para me deixar sozinha. Por ter me perdoado tão mais facilmente por também tomar conta de você, e me mostrar diariamente como eu era uma tola e cabeça dura. Por ter me dito que eu não tinha razão; Eu não sabia nada de amor antes de você.

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Agora somos só nós dois
E não temos que provar pra mais ninguém
Amor, eles não conseguem perceber como é real
Que a gente se encante com alguém, assim…

Existem mil mistérios que renovam os nossos planos
De seguir acreditando nesse nosso amor
E nada do que digam vai mudar
O que pensamos deixa estar
E agora vamos, já chegou

Meu coração vai te mostrar
Que esse amor não precisa esperar não precisa esperar

(Deton)
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Sol e Sereno

-Pedi pra você busca-lo hoje.
-Eu sei, me desculpe.
-Isso sempre acontece.
-Isso o quê?
-Você.
-Eu?
-Nós. Todos os dias.
-Desculpe.
-Pelo que?
-Por não te fazer feliz.
-Não precisa falar assim.
-Desculpe.

-Onde você vai?
-Não sei. Quero ficar sozinho.
-Mas eu não quero ficar sozinha.
-Você não vai estar sozinha.
-Quero ficar perto de você
-Talvez você precisasse de um tempo de mim hoje. Não sei…
-Para de falar
-Apenas quis ser prático
-Desculpe.
-Por?
-Por pedir demais.
-Você não pede demais nunca.

-Não é difícil, sabe? Nós.
-Não. Tem um ritmo premeditado, uma sequência repetitiva, e sempre o mesmo fim. Sempre.
-Tão monótono assim?
-Eu diria ordenadamente fluido.
-Isso é bom?
-Isso somos nós. O que você acha?
-Do quê?
-Disso.
-Acho fácil. Fluido.
-E isso é bom?
-Isso é inevitável. Eu e você.
-Por isso que eu disse que sempre tem o mesmo fim. Nós somos o trajeto..
-Os sujeitos, e os obstáculos…
-E também o deleite
-É muita coisa para ser

-Será que não damos conta?
-Somos perfeitos para o papel.
-Nós também somos o papel.
-Chega a ser cômico
-Você acha?
-Você não?
-Mas é cômico.
-Faz quanto tempo?
-Alguns anos
-Você está cansado?
-Não. Só me esqueci de busca-lo hoje.

-Ele se parece muito com você.
-Obrigado.
-Pelo quê?
-Por isso. Você, ele. Nós. Por ele se parecer comigo. Por cobrar demais.
-Você disse que eu não cobrava demais.
-Ah, é. Você não cobra
-Eu sei que não…

-Posso tirar as roupas do varal?
-Eu adoraria.
-Você está linda…
-Nascerá outro.
-O quê?
-Estou esperando, meu amor. E esta será a sua cara também…

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Caminhava sozinha. Era encontrada, boa e virtuosa. Fazia planos, encontrava enganos, descobria..
Cheia de vida; Vida de amor.. A juventude de sua época que não lhe pertencia.
Interpretava papéis, redigia roteiros, resumos e preces. Caminhava. Acompanhada, falava; no fim, mudava; No outro dia, o mesmo mais do mesmo
Era bela, amada, cercada, feliz. Nada mais pedia seu coração novo e renovado, meramente inacabado, parado e com ferrugem. Sabia dos princípios, das leis, das coisas da vida… Lia sobre, escrevia sobre.
Caminhava… Raio, relâmpago e trovão;
Ela se jogou da janela do quinto andar: Nada fácil de entender..
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O bom é estar com você; é sentir você; é falar para você sobre o meu amor.

O bom é te segurar pela mão, é te pedir perdão, é ter perguntar mil vezes a mesma pergunta e nenhuma resposta obter

O bom é mexer no seu cabelo enquanto você dorme, é agradecer a sua mãe pelo convite a ir a sua casa..

Melhor que isso, só sentir o seu abraço; passeando pela areia de Ipanema, caminhando pelos lugares mais inusitados acompanhadamente…

O bom é quando você me pede para subir em suas costas, sendo que sequer consegue carregar-me

O bom é sentir ciúmes de você, sentir saudades de você, dar satisfação a você, privar-me de coisas por você, deixar-me coisas por você

O bom é sentir a presença de um na vida do outro; a ausência de um na vida do outro.. Pois é no equilíbrio entre presença e falta que mede-se o valor do amor

O bom é deixar-se preencher pela falta de explicação; saber que apenas o silêncio nos basta.

O bom é perder a paciência, é chegar na desavença, é pedir mais do outro do que ele pode dar; para depois perceber que não é preciso mais do que o que já se tem..

Bom saber que nossa previsibilidade traduz-se numa infinita sede desse mesmo amor de sempre

O bom é o começo, é o meio, é o fim; Pois sabemos que depois deste infinito ciclo haverá outra etapa;

Ela chamar-se-á recomeço, e trará consigo a paixão, o amor, a união e a certeza, tudo isto junto, num potinho..

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Pintada

Anotei. Anotei tudo. Selecionei as mais importantes notas mentais e anotei-as também. Persegui cada detalhe, revisei, revivi, repeti, comecei tudo de novo e pus meu fim também de novo. Tracei todo e qualquer tipo de caminho por aquele corpo branco e pintado, sem na realidade ter algum pensamento preso à mente, fazendo por fazer, como uma compulsão, obsessão. Como se minha vida toda fosse aquilo.
De vez em quando voltava à superfície, à mim mesma, perguntando-me porque estava ali, dentre outras perguntas que em poucos segundos já respondia. Era uma tentatida vã de prender-me à realidade da vida. Não que o meu devaneio fosse sobre o irreal, todos os dilemas e problemas que nos cercavam me faziam ter a certeza de que, sim, eu velejava sobre o mundo real, e tudo o que existia era real. Eu não imaginara nada! Dessa culpa, livro-me. De tantas outras culpas já considero-me merecedora. Mas não era isso o que eu queria saber.
O modo pelo qual os sentimentos delineavam-se, a trajetória que a vida desenhava.. Para mim, havia somente o turbilhão. De dúvidas, de novidade, de falta de sabedoria. Tanto amor que me cegava.
Tanto amor… Os meus dedos faziam o amor sobre aquela pele branca e pintada, os meus olhos mergulhavam no borrão daquele presente que se fazia eterno, e todo o meu eu não tinha mais obrigação alguma. Eu não sabia dizer se perdera-me definitivamente, ou se poderia sobreviver somente com aquilo. Tudo o que eu sabia era inconsciente, era a manifestação silenciosa da minha fidelidade, da minha natureza, do meu próprio eu, e do nosso próprio eu. Era pura emoção, depois de pensar tanto! Longe dele eu pensava tanto, mas com meus dedos sob sua pele branca e pintada, o pensamento calava, impressionado.
A textura e o timbre da pele fisgara não somente meu corpo, mas também minha alma, e apesar disso minha mente tremia, inquieta, ao sentir o poder da prisão. Ao sentir que, nesta pauta, ela era inteiramente livre. Uma liberdade meticulosamente planejada, que não era nada o que planejara. Uma contradição vaga, um erro sutil, um vagão de metrô superlotado. Tudo com a delicadeza do horizonte.
Eu me acostumara a não ter futuro certo; A saber que nosso futuro era a eternidade e nada mais. Acostumara-me a fazer anotações mentais complexas que, por fim, aos meus olhos revelavam-se apenas rabiscos. Acostumara-me a vagar, vagar, vagar, juntos com meus dedos sob sua pele branca e pintada, sem destino, sem fome, sem desejos. A ter a clareza do que é importante. Acostumara-me a esse amor que me mandava, me mudava, me fazia, me seguia, me explorava, revirava, iluminava… E todas as coisas eram lindas, infindas, queridas… Porque era isso o que ele emanava; era isso o que nós me fazia. Porque eu, quando incompleta, tinha muito a dizer, e hoje, completa, muito tinha a sentir.

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O brilho que se foi
Fugiu por entre os dedos dos famintos
Levou-o o tempo para quem precisava mais

Ainda há calor
Ainda há pensamento; O vento
que insiste em relembrar o que passou e..

O que ficou para depois
Há de ter que ser independente
Criar força em si mesmo.. Amar além do amor

O brilho que se foi
Não enseja epitáfio posto que avisou por carta que iria voltar
Nós vamos esperar?
Nós vamos esperar?

Enlaça nossas mãos atadas para junto ao mar.. Na série de pensamentos e passar das águas incessantes
Nós ficamos

Juntos
Separados
Cansou-se o amor de esperar sozinho
Deixamos o amor
Sozinho

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O amor é…
                   plenitude
é certeza, é acompanhar segurando a mão
é mão no cabelo, braço na cintura
é olhos um no outro
é mente acesa desconcentrada
é todo o resto de luz apagada
é satisfação ilíquida, é buscar por mais daquele e deleitar-se de prazer
é orgulho ferido, é sentir-se em abrigo
é lar, é mudança de lar
é querer sempre estar
é nunca cessar.. É sorriso de alma
É eu e você

O amor é…
plenitude
é certeza, é acompanhar segurando a mão
é mão no cabelo, braço na cintura
é olhos um no outro
é mente acesa desconcentrada
é todo o resto de luz apagada
é satisfação ilíquida, é buscar por mais daquele e deleitar-se de prazer
é orgulho ferido, é sentir-se em abrigo
é lar, é mudança de lar
é querer sempre estar
é nunca cessar.. É sorriso de alma
É eu e você

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Sentei-me após o dia cheio que tive. Cheio de tédio, cheio de cansaço. Essa era eu não somente às 18h, mas também às 07. Não sei exatamente quando eu me tornara assim, mas este cansaço me consumira. A vida me consumira. “Passa-me um café”, ele pediu. Passei. Eu não gostava de café, mas beberia junto com ele. O observei. Estava velho, com voz rouca. Cabelos ralos e certa proeminência abdominal que nunca tivera. Talvez estivesse cansado também. Talvez eu o tivesse cansado. Não viajávamos há alguns anos. Apenas sorríamos enquanto tomávamos café.
Quando será que acordei e não vi mais vestígios da antiga paixão? Não me recordava. Fazia algum tempo. Minhas costas doíam demais para paixão. Éramos amigos, porém. Meu melhor amigo… Ainda que não houvesse mais segredos a serem compartilhados. Será que fomos felizes durante todos esse tempo? Lacrimejei. “Nós fomos?”, perguntei-lhe. “Sim, meu amor”. Segurou minha mão.
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